Quinta-feira, 8 de Março de 2007

Mundo - 1º torto

Cheguei a conhecer-me, um dia, ao fim da tarde, num café à beira da praia. Não sabia que era eu, e muito menos tinha conhecimento de que já me tinha visto algures, de relance, numa terça-feira chuvosa. Praticamente não me teria reconhecido, não fosse o perfume doce, o cabelo desajeitadamente ondulado e as sapatilhas reluzentes.
Mostrava-se um lindo pôr-do-sol no horizonte. Raios de sol indefinidos alagavam o mar calmo e as rochas, aplicando uma tonalidade d’oiro no céu, nas nuvens e na vida.
Olhei-me com o mesmo olhar de desinteresse que normalmente toda a gente dirige a toda a gente, enquanto bebia um sumo de kiwi light e lia uma revista fútil qualquer. Foi quando me apercebi que me olhava a mim mesma com seriedade, do outro canto da esplanada. Prolonguei, então, o olhar na minha pessoa por mais do que os dez segundos necessários para perceber que tinha a gola ligeiramente torta. O meu outro eu levantou-se, na cara fixa uma expressão de puro espanto, dirigindo-se a mim com passos incertos.
Acercou-se da minha mesa e baixou a cabeça numa posição ridícula, como que a ler o título da minha revista. Endireitando-se, olhou-me nos olhos com um certo desprezo, deu um jeito na gola e disse: “Admira-me que tenha comprado esse número de revista. É péssimo!”.
 Não querendo discutir com o meu próprio eu, levantei-me, sacudi a camisola, paguei a bebida e, de cabeça erguida, dirigi-me para o elevador, onde carreguei, com firmeza, no botão “Lua – 3º Direito”.   
sinto-me: um pouco doida?!
Sexta-feira, 2 de Março de 2007

Amor não correspondido

Bem, peço, desde já, imensa desculpa às pessoas que, de alguma forma, saiam lesadas por este post, mas eu tinha mesmo de referir...

Tinha, eu tinha de referir um certo gerente e uma certa menina... não, não revelo as identidades... é apenas uma linda história de amor não correspondido!

Visualizem a questão deste prisma:

Um rapaz trabalhador, empenhado, interessado... depara-se um dia, com uns belos olhos de mulher que o arrancam da realidade e o transportam directamente para o mais belo dos sonhos! Sente-se abalado, pois não sabia que existia um mundo para além do dele... mas os olhos dela parecem oferecer-lhe um mundo gigante, uma alma, um fogo de amor, de paixão, de vida!

Mas tudo não passa de um instante! De todas as vezes que ele tem a oportunidade de relancear o olhar sobre o fulgor da sua existência, ela afasta-se, decidida. Ela olha-o, mas não o vê...

Um amor não correspondido! Um romance inacabado para uma vida incompleta! Tudo por causa de uns olhos que hipnotizaram pela beleza...

O mundo e a vida são tão bonitos, não são??

P.S.: àquela menina, uma palavrinha: isto é só um textinho profundo que me apeteceu escrever... Sabes que é porque gosto muito de ti e és uma Amiga com um A muito maiúsculo! Basicamente, obrigada por seres um autêntico anjinho da guarda e uma mais-valia para toda a humanidade, quanto mais não seja pelo encanto que exalas com o teu olhar

***Um beijinho!***

Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

Um novo ano que começa

Era um Ano Novo, fresquinho, aventureiro, sincero, alegre, do mesmo tamanho que muitos outros que por ali haviam passado. Não conhecia ainda o mundo, não sabia o que esperar, mas estava ansioso... afinal, haviam-no recebido com foguetes e tudo! E com gritos e apitos e euforia! - ele havia, certamente, de ser muito importante. Talvez mais importante e moderno que o anterior, tinha até um número maior! 

 

 

O Ano Novo foi passando, alegremente, virado sempre ligeiramente para Sul, admirando as pessoas que regiam a sua vida através ele. A quantidade de cópias de si mesmo que as pessoas usavam consigo, como agendas!! O Ano Novo sentia-se radiante e orgulhoso...

 

 

Acabou por se tornar mais maduro, lá para finais de Março. Admirou o Mundo e os que o habitavam. Estranhou que pessoas que convivessem diariamente se dessem tão violentamente e se zangassem por meros assuntos sem interesse, tornando as pessoas materialistas, gananciosas e egoístas.

 

 

Era mesmo de admirar... A partir da terceira semana de Junho, já como Ano Avançado, começou a ficar seriamente repugnado com a atitude de certos homens, que se nem "h grande" tinham, nem "h" mereciam... Havia homens adultos que descarregavam a fúria de uma vida fracassada em pequenas crianças indefesas e inocentes, que perdiam a jovem vida tão cedo que não chegavam a saber e conseguir pronunciar um pedido de ajuda.

 

 

Havia homens adultos que ceifavam vidas humanas, directa ou indirectamente, como quem varre pó do chão... Havia homens adultos que roubavam a pessoas pobres e tristes o que pouco que tinham para acumular no muito e incontável que já possuíam...

 

 

Em Dezembro, o Ano, já Velho, não estava triste por partir. Estava cansado dum ano de existência cruel, com alguns rasgos de felicidade como luzes intermitentes provindas de algum dia excepcional em que alguma guerra fora terminada a tempo - antes da dizimação de todas as formas de vida do país. 

 

 

Não, o Ano Velho não se queixava por dar lugar a um Ano Novo e inexperiente. Já vivera tanto por uma vida, por biliões delas, até, e precisava de descansar. O Ano Velho tomou uma nota mental para lembrar ao seu chefe o quão assustador era o estilo de vida dos seres que dominavam o planeta. Planeta que estava a ser destruido por esses mesmos seres, essencialmente devido ao exagerado aquecimento global.

 

 

No dia 31, o último do Ano, o Ano Velho respirou fundo, bem fundo, e rezou. Rezou por todas aquelas vidas distraídas e apressadas, rezou por todas aquelas vidas que já quase nem vidas se podiam chamar e rezou por aqueles que, no meio daquilo tudo, lutavam contra aquilo tudo! 

 

Quando o Ano Velho expirou, um Ano Novo chegou. Era um Ano mesmo Novo, fresquinho, aventureiro, sincero, alegre, do mesmo tamanho que muitos outros que por ali haviam passado...

palavreado por Palavreadora às 14:45

link do post | comenta palavreando | adicionar aos tesouros
Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Viagem sem retorno...

 

É urgente reconhecer a urgência de nos sabermos urgentemente perdidos num sem-fim de um inúmero de coisas nenhumas…urgentes!
 
 
Por isso digo a mim mesma que sei quem sou e que me encontro, por e para mim mesma… Sou eu e fujo ao mesmo tempo!
 
 
E se for tentar encontrar, no meio do nenhures em que nos envolvemos, dia-a-dia, um pedaço de mim ou do que fui, encontrá-lo-ei coberto de gelo ou de solidão, porque isso é o mesmo que Ser, hoje, e é o mesmo que encontrar uma alma perdida no meio da neblina.
 
 
E não preciso de te dizer que não sei onde estás, porque tu já sabes… deixámos de ver há muito tempo. Deixámos que aquele frio nos despisse de toda a felicidade e de toda a visão do mundo em que “vivemos”, não porque uma seja outra, mas porque reconheço que sem uma, não há a outra. E tu sabes isso? Reconheces que, como eu, já não vês e que praticamente não estás aqui?
 
 
Eu tento ficar. Tento, a sério. Tento ficar e prender-me ao pouco que sou, ao pouco que é meu, que sou eu e és tu… e como tu já fugiste, prendo-me àquela árvore que ainda tem as raízes mais sólidas que o meu ser… e que o meu viver e que o meu olhar e que tudo aquilo que eu possa fazer na “vida”.
 
 
E tu? Sabes “viver”?
                                      

E o que é o amor? Lembras-te? Também fugiu, há pouco tempo… só há os restos, só aquilo que ainda me veste de trapos, e mesmo assim, estou quase despida.
 
 
E a amizade? É mais forte que nós? É mais forte que o mundo que está a acabar? Não sei… para mim, desapareceu contigo. Não a vejo, não a sinto, não lhe toco, nem a cheiro…
 
 
De qualquer maneira, os meus sentidos já não são o que eram… Ver, já não vejo. Já não sinto o sabor da fruta fresca – que fruta fresca?! – nem ouço pássaros a cantar, felizes – mas também, já não devem existir pássaros para ouvir. Fugiram contigo, ou foram ter com Deus.
 
 
Sinto-me como se adormecesse… foi isto que sentiste, quando te foste? É muito estranho. Já não sinto aquela urgência… Mas também, já não há nada para salvar.
Deitei-me. É como se me prendessem aqui, como se eu soubesse que não há possibilidade de voltar… para onde?!
 
 
Agarram-me. É suposto ver-se uma luz? Mas eu já nem vejo…
 
 
Puxam-me. Sinto-me libertar-me. De certo modo, é aliviante. Desde que não volte… até pode ser que me encontre comigo, no sítio para onde vou.
 
 
Serei a última a partir?
 
 
Ainda me lembro do último som que ouvi.
Era a voz de uma criança. A última criança que eu conheci… Eu.
Disse: “Adeus, mundo.”
 
 
Soltei-me.
 
 
E parti.

Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006

Caminhos

  Imaginei-me a percorrer um caminho de neve assim... Imaginei um sem-número de coisas que poderia fazer se conhecesse um local assim... conheceria a magia em pessoa, sem dúvida! Acredito que locais assim têm a sua prórpria vida, que nascem e vivem como nós... e respiram e riem-se por nós e connosco!

Gosto tanto de observar, apreciar a Natureza, na sua simplicidade! É tão vívida, transmite tanta energia, tanta felicidade! Desejo diluir-me nela como quem faz parte destas árvores, como quem é a própria neve e percorrer, ao mesmo tempo, o caminho, sentindo o frio e o calor da existência num só sentido! Seria tão bom!

Reconheço-me a mim mesma em paisagens como esta... talvez um dia eu já tenha sido uma folha, um fruto, um nuvem, uma erva verde, a alegria de alguém...

Espero que também eu possa, enquanto pessoa, transmitir alguma alegria a alguém, seja por que for!

E desejo o máximo de felicidade possível a todos aqueles que amo do fundo do coração  a todas as pessoas do mundo.

De conselho, posso apenas dizer que lutem por ela. Porque vale tão a pena!

Sempre vossa,

Filipa

É Natal!...

  É Natal! A melhor época do ano!... Pelo espírito, pela alegria, pelas luzes, pelo cheirinho familiar das nossas casas, pelas toalhas coloridas, vermelhas e douradas, pelos "Pais Natais" pendurados nas janelas, pelas mensagens curtas, mas lindas, de um simples «Feliz Natal»...

E o presépio, a lareira quentinha, os doces, a família, os amigos, os sorrisos, os laços dos presentes, os próprios presentes (!), os abraços e os beijinhos...

Desejo a todos os meus amigos, familiares, pessoas conhecidas, pessoas não conhecidas, um Óptimo Natal e um Felicíssimo Ano Novo...

Para todos, que o melhor deste ano seja o pior do próximo!       

Um beijinho muito doce!

Para sempre vossa,

Filipa 

sinto-me: natalícia
música: thank God it's Christmas
palavreado por Palavreadora às 10:57

link do post | comenta palavreando | adicionar aos tesouros
Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006

À Amizade

Esta é em honra da nossa amizade, Lady Bird!

E da magia que nos une.

Obrigada por existires. Obrigada por tudo... nunca te esquecerei!!!

Gosto muito de ti!!!

333999 milhões de bjinhos***

Um sorriso

  É apenas um sorriso que eu te peço... que tentes ser feliz. Não por mim, nem pelos outros, mas por ti. Vive. Deixa-nos admirar a alegria que possas transbordar, deixa-nos sentir o teu coração e a tua alma através das tuas palavras e do teu ser.

Não existas, apenas. Reaje ao mundo e pelo mundo.

E ter-me-ás sempre ao teu lado. Como amiga. Como irmã.

Com um sorriso

§ mAis sObRe Mim

§ PeSquIsAr um PaLaVrEaDo

 

§ Outubro 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
24
25
26
27
28
29
30
31

§ PalAvReAdOs

§ Xii, tou feita!

§ O achado que inspirou um ...

§ Pá, não há quem entenda.....

§ Pá, já não há quem entend...

§ Curiosidades turísticas e...

§ Ainda na onda de quem est...

§ Pró que me dá, às vezes.....

§ Língua de "Perguntadora"

§ A moda e a beleza e o amo...

§ Verão com "cheirinho"... ...

§ Despedida das férias de V...

§ No que pensamos quando te...

§ Como arranjar bons filmes...

§ Infantilidades à parte...

§ Pah, não entendo...

§ Olhó que a saudade trouxe...

§ Profissão: Santo Escritor...

§ Nunca é um fim!

§ "Chegue-se mais, menina. ...

§ Pois é, a vida é mesmo as...

§ Mundo - 1º torto

§ Amor não correspondido

§ Um novo ano que começa

§ Viagem sem retorno...

§ Caminhos

§ É Natal!...

§ À Amizade

§ Um sorriso

§ OuTrOs PaLaVrEaDoS

§ Outubro 2008

§ Setembro 2008

§ Agosto 2008

§ Julho 2008

§ Junho 2008

§ Maio 2008

§ Abril 2008

§ Março 2008

§ Fevereiro 2008

§ Janeiro 2008

§ Dezembro 2007

§ Novembro 2007

§ Outubro 2007

§ Setembro 2007

§ Agosto 2007

§ Julho 2007

§ Junho 2007

§ Maio 2007

§ Março 2007

§ Fevereiro 2007

§ Janeiro 2007

§ Dezembro 2006

§ Novembro 2006

§ PaLaVriNhAs

§ todas as tags

§ CaiXinHa dos TeSouRos

§ Sentir os sentimentos por...

§ Uma pitada de poesia...

§ A poesia do velho

§ Uma caixinha dos tesouros...

§ Palavreados aleatórios II...

§ Conclusão inegável

§ Palavreados aleatórios - ...

§ Palavreados aleatórios II...

§ AdMiReM OuTraS ObRaS

blogs SAPO

§ subscrever feeds